Indústria de leite longa vida enfrenta margens negativas

As indústrias de leite longa vida do país estão trabalhando com margem negativa entre R$ 0,25 e R$ 0,50 por litro na comercialização do produto, conforme consulta realizada pela Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida (ABLV) com empresas associadas.

No Estado de São Paulo, o litro de leite longa vida vendido pela indústria para as varejistas neste mês de agosto está sendo negociado em R$ 1,90 a R$ 1,95, em média, de acordo com Laércio Barbosa, presidente da ABLV. Esse é o menor valor para um mês de agosto desde 2014, considerando tanto preços nominais quanto deflacionados.

A fraca demanda no varejo, reflexo da crise no país, pressiona os valores do leite comercializado pela indústria. Além disso, o aumento da produção de leite no Brasil - em grande parte em consequência dos preços mais baixos dos grãos para alimentação do rebanho leiteiro - também influencia o mercado. A ABLV tem 30 associadas, que respondem por 90% do mercado de leite UHT no Brasil.

Depois de dois anos de queda na produção brasileira de leite, entre janeiro e julho deste ano, a captação pelas indústrias subiu 1,8% em relação a igual período de 2016, segundo o Índice Scot de Captação de Leite. Só no mês de julho, a alta foi de 4,9% na comparação com o mesmo mês de 2016.

"A situação da indústria está muito difícil. Achamos que é o fundo do poço e deve haver uma reação a partir de agora", afirma Barbosa, que é diretor da Usina de Laticínios Jussara. Para calcular as margens, a indústria considera os preços de venda ao varejo e os custos do leite cru, da embalagem, insumos, embalagens, mão de obra, impostos e fretes.

Por esse cálculo, o custo de um litro de leite longa vida para a indústria está entre R$ 2,20 e R$ 2,40 o litro atualmente. Embora admita que a volatilidade no segmento é normal, Barbosa chama a atenção para o tamanho do prejuízo registrado atualmente.

Ele avalia que a recuperação deve ocorrer em breve porque o preço da matéria-prima se estabilizou no mercado spot (negociação entre empresas) na segunda quinzena de agosto. "O pico da safra de leite do Sul já foi e as importações [de lácteos] perderam força depois do primeiro semestre", observa.

Além disso, segundo Barbosa, promoções de preços realizadas por grandes varejistas do país estimularam uma melhora no consumo nos últimos dias. E ajudaram a reduzir os estoques de produto nas indústrias. "O consumo deve melhorar. Os preços caíram muito", argumenta.

Dados da MilkPoint com base em levantamentos do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e da Fipe indicam que o preço do leite longa vida no atacado na semana encerrada em 18 de agosto ficou em R$ 1,93 em média, em São Paulo. Na média das três primeiras semanas do mês, ficou em R$ 1,96 por litro, quase 30% abaixo dos R$ 2,78 de agosto de 2016.

Para Valter Galan, analista do MilkPoint, esse cenário não deve mudar rapidamente. "A demanda não está avançando", afirma. Afora isso, há no momento, mais oferta de leite para processamento do que havia em igual momento de 2016. E a perspectiva é de que essa oferta continue a crescer com o avanço da safra de leite em Minas Gerais e Goiás.

Ele vê possibilidade de mudança, contudo, se os preços mais baixos do leite no varejo estimularem o consumo. Segundo dados da Fipe compilados pela MilkPoint, em julho passado o leite longa vida no varejo ficou em R$ 2,93 por litro, 28% abaixo dos R$ 4,09 de um ano antes, em valores deflacionados.

Fonte: valor.com.br

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